Como profissional de saúde mental já atendi em consultório vários casos de transtornos de humor. Estão incluídos nesses transtornos a depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), entre outros.
Um número grande de pessoas sofrem com esses transtornos em seu cotidiano, algumas buscam acompanhamento apenas medicamentoso e seguem suas vidas enfrentando dificuldades. Entre os três citados acima o transtorno bipolar é o que mais carece de acompanhamento medicamentoso, geralmente feito com Lítio, para ajudar no equilíbrio da química cerebral. Os estudos sobre os outros dois - depressão e TOC - mostram que o medicamento inibe os sintomas, mas somente uma associação com psicoterapia evita o retorno dos episódios a longo prazo.
Entendam isso, algo levou ao desenvolvimento do transtorno e o medicamento não vai te ajudar a descobrir e alterar essa causa, ele é um paliativo, uma "bengala" necessária por um tempo pra te ajudar a voltar a andar sozinho. Nem todas as pessoas com depressão ou TOC precisam de medicamento, mas se precisarem, espero que não tenham preconceitos tolos. Buscar ajuda - seja a que for - é lutar por quem mais vale a pena: você mesmo.
Com relação a psicoterapia, existem diferentes abordagens terapêuticas em Psicologia. Certamente se existe a suspeita de um transtorno de humor e você buscar o auxílio de um terapeuta de abordagem Cognitivo-Comportamental ou de um Analista do Comportamento ele incluirá como parte do seu tratamento a realização de caminhadas ou outro exercício aeróbico. Essas práticas, além de auxiliar a manter a saúde física, contribuem para a regulação da química cerebral, ajudando a manter o humor mais estável.
No caso da depressão, o profissional procurará localizar pensamentos automáticos (aqueles que surgem sem que você pense sobre um assunto) e as crenças que existem por trás desses pensamentos e que levam a comportamentos disfuncionais (ex: imaginar que ninguém se importa com você, mas se alguém te liga você não atende o telefone). O terapeuta buscará, ainda, encontrar atividades que no passado foram prazerosas para o cliente e que possam ser feitas no presente, aumentando o círculo de contatos da pessoa e sua chance de voltar a se sentir bem. É prática corriqueira nas duas abordagens passar "tarefas de casa", que consistem em alguma atividade ligada ao caso de forma direta ou indireta, que vai ao longo do tempo auxiliando no tratamento.
O acompanhamento de TOC exige sessões mais estruturadas, em que o terapeuta pode precisar induzir a manifestação de alguns sintomas físicos durante a sessão para ter a chance de trabalhar com a "descatrastofização" das sensações. Por exemplo, todos sentimos o coração acelerado se subirmos uma escada correndo, mas pra alguém com TOC essa sensação pode remeter diretamente a morte e ser suficiente pra começar uma crise. Quando se localiza os pensamentos eliciadores das crises, começasse um trabalho de "dessensibilização sistemática", gradual e ponderado, até que as crises sumam e as crenças sejam alteradas.
Todos os transtornos de humor são tratáveis e para a maior parte das pessoas há remissão completa dos transtornos após o acompanhamento.
O mais importante é: VOCÊ NÃO PRECISA SUPORTAR TUDO SOZINHO, BUSQUE AJUDA.
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