Durante muito tempo os serviços psiquiátricos eram manicomiais, o que significa dizer que sempre que alguém desenvolvia sintomas de adoecimento mental, era enviado para um manicômio, para receber atendimento médico.
Os relatos de maus tratos cometidos contra os pacientes e a falta de efetividade do tratamento fez com que um movimento mundial se iniciasse querendo alterar essa política de atendimento. O movimento antimanicomial iniciou-se na Europa, na década de 1950 e ganhou força especial na França e na Itália. No Brasil o movimento antimanicomial iniciou-se um pouco mais tarde, na década de 1980, foi marcado pela explicitação da situação precária de vida dentro dos manicômios e do impacto social negativo da política manicomial.
A luta foi longa e difícil, mas culminou com a alteração da política pública para a saúde mental. A promulgação do novo modelo de atendimento psiquiátrico brasileiro ocorreu com a Lei 10.216, conhecida como “Lei Paulo Delgado”, promulgada em 06 de abril de 2001.
O novo modelo de atendimento psiquiátrico adotado no Brasil assumiu um caráter comunitário e regionalizado. O foco do tratamento foi alterado do manicômio para os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), da internação de longa permanência para atendimento ambulatorial, visando a permanência dos pacientes com suas famílias e com a comunidade. Esse modelo também é marcado pela implantação de outros serviços de saúde comunitários, tais como: residências terapêuticas, hospitais-dia, leitos psiquiátricos em hospitais gerais, acompanhantes terapêuticos, entre outros.
Com a permanência dos pacientes na comunidade criou-se a preocupação com sua inserção ou reinserção social. Criou-se também a necessidade de conscientização da comunidade sobre o adoecimento mental, a formação de profissionais especializados para atender as necessidades dos pacientes e de suas famílias e novos estudos sobre as vivências dos pacientes e cuidadores. Muito já foi conquistado, a desinstitucionalização dos pacientes internados em manicômios e a constatação de que eles podem viver em comunidade e receber atendimento representam ganhos importantes. Mas o caminho para a real aceitação das diferenças em nossa sociedade ainda será longo e depende de cada um de nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário